POLITIKA revela os bastidores da convenção de 1998 do PMDB: “Zé venceu Ronaldo com voto comprado”

Há 13 anos, uma multidão de eleitores cercava as imediações da entrada do Esporte Clube Cabo Branco, localizado no bairro de Miramar, em João Pessoa, esperando ansiosamente que os cerca de 500 delegados do PMDB decidissem quem seria o maior cacique do partido, numa disputa fratricida envolvendo o então governador José Maranhão e o – na época – senador Ronaldo Cunha Lima (hoje filiado ao PSDB).
O clima de guerra pairava no ar, devido às ruas trancadas ao tráfego de veículos, barricadas de madeira impedindo o acesso até mesmo dos próprios moradores da área, aglomeração de carros nas ruas circunvizinhas fechadas ao trânsito normal, Tropa de Choque da Polícia Militar fazendo o patrulhamento ostensivo do lugar, caravanas vindas de todas as partes do Estado, gente caminhando apressada por todos os lados, uma montanha de jornalistas cobrindo o evento, inclusive de emissoras de rádio, TV e jornais de outros Estados, em nível nacional.
Primeiro a ganhar foi Haroldo
Na 1ª convenção realizada no dia 15 de maio de 1998, Maranhão venceu por apenas quatro votos de diferença, elegendo seu candidato à presidência do partido, Haroldo Lucena. Detalhe: seis votos foram impugnados e não entraram na contagem, que poderia ter tido outro resultado, inclusive com a vitória de Ronaldo o que, de fato, acabou não ocorrendo.Na 2ª convenção, realizada no dia 15 de junho de 1998, Maranhão ampliou a vantagem para 40 votos, novamente contra Ronaldo, desta vez tendo ele próprio (Zé) como indicado à reeleição ao governo do Estado, pela legenda.Como não havia nenhuma força política expressiva na oposição, apenas Gilvan Freire (PSB), com Cozete Barbosa (PT) destacando-se como candidata ao Senado, quando obteve boa votação, era óbvio que quem ganhasse as convenções do PMDB fatalmente seria desde já considerado eleito governador.

Delegado valia até R$ 100 mil
Maranhão levou a melhor, à custa de um despudorado processo de cooptação de lideranças no interior do Estado, movido à base da compra de votos dos delegados peemedebistas, por cifras astronômicas até mesmo para os padrões de hoje em dia, levando-se em conta as taxas de inflação acumuladas neste período e a desvalorização do R$ (Real) enquanto moeda forte, na época, recém-criada pelo então presidente FHC (ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, falecido agora este ano).Os valores chegavam à cifra dos R$ 40 mil e até mesmo R$ 100 mil, por apenas um voto de delegado, se este fosse revertido em prol da candidatura de Maranhão. Houve até quem se vendesse, desistisse da venda e depois se vendesse novamente, apenas para “valorizar o passe”, alvoroçando políticos, lideranças comunitárias e cabos-eleitorais.Confira a reportagem completa com os nomes de quem atuou nesse processo e o que eles representavam na política paraibana da época na revista POLITIKA.
revista POLITIKA.
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