Humorista Chico Anysio morre aos 80 anos no Rio de Janeiro

Chico Anysio morreu no início da tarde desta sexta-feira (23). Foto: Divulgação

Morreu na tarde desta sexta-feira (23) Chico Anysio, aos 80 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. De acordo a nota de falecimento do centro médico, o humorista não resistiu a uma parada cardiorrespiratória. A causa da morte ocorreu por conta de falência múltipla dos órgãos decorrente de choque séptico causado por infecção pulmonar. O artista foi dado como morto às 14h52.

Segundo informações divulgadas na porta do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, pelo advogado da família da Chico Anysio, Paulo Sérgio Pimpa, o humorista será velado neste sábado (24), no Teatro Municipal. A cerimônia terá início às 8h para familiares e amigos e será aberta ao público a partir das 12h. Pimpa também falou que o corpo de Chico será cremado no domingo (25) no Memorial do Carmo, conhecido popularmente como Caju.

Chico Anysio foi internado no dia 22 de dezembro, após uma infecção no aparelho digestivo e, posteriormente, diagnosticado com pneumonia. O humorista passou por uma sessão de hemodiálise na noite de quarta-feira (21) e, na tarde desta quinta, foi realizada uma punção torácica esquerda com drenagem de grande quantidade de sangue. Chico estava recebendo altas doses de medicação para controlar a pressão arterial, além de requerer o uso de ventilação artificial.

Em agosto de 2010, ele foi internado no mesmo hospital para a retirada de uma parte do intestino grosso, após apresentar um quadro de hemorragia digestiva. Depois da cirugia ele foi diagnosticado com pneumonia.

No dia 2 de dezembro, ele foi submetido a uma angioplastia, procedimento que desobstrui as artérias e, desde então, apresentou novos quadros de falta de ar. Em fevereiro deste ano, Chico Anysio apresentou um novo quadro de infecção pulmonar e voltou a fazer uso de antibióticos.

Biografia
Chico Anysio nasceu com o nome de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, no dia 12 de abril de 1931, na cidade cearense de Maranguape, localizada a 30 km da capital do Estado, Fortaleza. Filho de um bem-sucedido proprietário de uma empresa de ônibus, Chico, como era conhecido, teve uma vida confortável até os oito anos de idade, quando a garagem da frota de seu pai sofreu um incêndio.

Deixando a família na pobreza por não possuir seguro, o pai do jovem resolveu se mudar com a família para o Rio de Janeiro, onde teria mais chances de se reerguer. Foi a viagem que mudaria para sempre o destino de Chico.

Como todo garoto, o futuro humorista tinha o sonho de ser um jogador de futebol – esporte no qual afirmava ter grandes qualidades. Certo dia, iria disputar uma partida com amigos no campo do Fluminense, onde era proibido entrar com calçados, pois isso poderia prejudicar o gramado.

No entanto, houve um contratempo e o jogo foi tranferido para outro lugar, cujo piso era de terra, impossibilitando a prática do esporte descalço. Assim, Chico voltou para casa, com o único objetivo de pegar um tênis, quando se deparou com a irmã saindo para um teste na Rádio Guanabara. O jovem resolveu ir junto e, lá, foi aprovado para ser rádio-locutor e ator. “Por isso digo que sou ator porque esqueci o tênis”, costumava brincar.

Chico nasce
Chico começou bem na rádio, agradando tanto no posto de locutor quanto no de ator. Mas foi a sua criatividade que chamou mais a atenção dos poderosos do entretenimento da época. O talento para criar personagens, fazendo tipos dos mais variados, o levou ao cargo de roteirista da extinta Atlântida Cinematográfica, produtora de filmes populares que fez sucesso no Brasil entre os anos de 1941 e 1962.

Na televisão, Chico estreou em 1957, na TV Rio, com o Noite de Gala, programa musical que recebia cantores e celebridades da época. Dois anos depois, já era um artista celebrado e ganhou o humorístico Só tem Tantã, rebatizado meses depois como Chico Anysio Show.

Em 1968, foi para a TV Globo, onde, aos 37 anos, teve a oportunidade de se tornar nacionalmente conhecido. Nela, criou e participou de alguns dos mais célebres humorísticos da televisão brasileira, como Chico City,Chico TotalEscolinha do Professor Raimundo e, mais recentemente, Zorra Total.

Sem dúvida, o maior triunfo de Chico foram suas criações, tão marcantes que são lembradas até hoje pelas mais diversas gerações. O humorista tem em seu currículo mais de 70 personagens, como Alberto Roberto, Professor Raimundo, Bento Carneiro, Bozó, Justo Veríssimo, Painho, Véio Zuza, Zé Tamborim, entre tantos outros.

Multitalento
As qualidades de Chico não se limitavam à criação e interpretação de tipos engraçados. Ele também se destacou como autor de romances, contos e peças de teatro, além de ter pintado uma série de quadros, principalmente nos últimos anos de vida.

Chico também teve uma fase fraca em sua carreira e, por quase uma década, ficou impossibilitado de fazer o humor que lhe era tão característico. Apesar disso, autores de novelas o resgataram, levando-o para um nicho até então deconhecido por ele, no qual se destacou ao longo da década de 2000, quando atuou em sucessos como Caminho das ÍndiasPé na Jaca e Sinhá Moça.

O humorista também tinha uma vida agitada longe da profissão. Chico foi casado seis vezes, a primeira delas com a comediante Nancy Wanderley, com quem teve um filho. Vieram depois a vedete Rose Rondelli, a atriz Alcione Mazzeo, a cantora Regina Chaves, a ministra da Fazenda do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello, e, mais recentemente, a empresária Malga di Paula, a única que não lhe deu herdeiros.

Chico teve oito filhos – Lug de Paula, Nizo Neto, Ricardo, André Lucas, Cícero, Bruno Mazzeo, Rodrigo e Vitória -, que o descreviam como um pai atencioso e amoroso.

Celebrado
Depois de anos atuando em novelas – e de muitos apelos por sua volta à comédia -, Chico ganhou um especial de fim de ano em 2009 chamado Chico e Amigos. O sucesso do programa trouxe de volta a figura do humorista à grade da programação de comédias da TV Globo, que passou a inserir semanalmente alguns de seus mais clássicos personagens no Zorra Total.

Em 2007, o cartunista Ziraldo o homenageou por seus 60 anos de carreira com o livro É Mentira, Chico?, no qual, ao lado de outros artistas renomados, criou caricaturas dos personagens de Chico.

Dois anos depois, foi a vez de ser reverenciado no Carnaval. A escola de samba Unidos do Anil, do Rio de Janeiro, desfilou com o enredo Chico Total! Sou Anil e Faço Carnaval. Em 2010, ainda recebeu homenagem na primeira edição do Risadaria, evento de humor realizado anualmente em São Paulo.

Recentemente, ainda trabalhou no cinema. Em Se Eu Fosse Você 2, até 2010 o longa recordista em bilheteria no Brasil, interpretou Olavo, e, no ano anterior, dublou o simpático velhinho Carl Fredericksen para a versão nacional da animação Up – Altas Aventuras.

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